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Fig. 1 - Arthur Groussier[1]
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Iniciado em 1885, com 22 anos de idade, e Maçom ativo até à sua morte em 1957, Arthur Groussier encarna, em 72 anos de profícua Maçonaria, várias das valentes gerações de Irmãos do Grande Oriente de França que se envolveram fervorosamente na luta republicana. Ele representa também, nesta longevidade, um longo e rico itinerário, a integração de abordagens que, marcadas no início por uma concepção muito exigente de justiça social, evoluíram sem renunciar a toda uma série de considerações filosóficas e morais. Mas o que talvez tenhamos tendência a ignorar quando pensamos nele é que, também em termos rituais, Arthur Groussier foi uma ponte. De fato, ele resumiu a maior parte da História do Rito Francês, que praticou em suas evoluções ao longo de várias décadas. Acima de tudo, ele é a força motriz da grande mudança na forma como o Rito é visto no âmabito do GODF. |
| Mas este “Ritual de Murat” pesou o discurso de forma moralizante e introduziu o espartilho de uma orientação deísta, notadamente nas suas referências às duas obrigações dogmáticas relativas à crença em Deus e na imortalidade da alma, introduzidas em 1849, ao mesmo tempo que introduziu a tríplice divisa: “Liberté – Égalité – Fraternité”. Pelo menos não toca na estrutura fundamental do Ritual, composta por fórmulas, sequências e gestos característicos. Aquelas mesmas que, posteriormente, serão suprimidas ou seriamente alteradas.[3] |
Fig. 3 - Lucien Murat[4]
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Fig. 4 - Louis Amiable[5]
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A primeira mudança fundamental no Rito foi feita em 1887. Com essa versão, chamada de “Ritual Amiable”, em homenagem ao Irmão Louis Amiable, que a promoveu, foi dado um passo decisivo. Longe de se contentar em eliminar as invocações e os comentários relacionados ao Grande Arquiteto do Universo (GADU), de acordo com a decisão do Convento de 1877, o Irmão Amiable, sob a influência da corrente positivista majoritária de então, suprimiu um grande número de termos e de aspectos alegóricos do Rito e, de modo geral, tudo o que pudesse ter uma ressonância simbólica, evocar uma questão metafísica ou simplesmente envolver a emoção e o corpo. O objetivo era excluir “práticas supersticiosas". Ao mesmo tempo, assistimos à inserção de comentários insípidos. |
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Segundo e terceiro estágios: apesar de algumas hesitações e comentários relativos, por exemplo, ao Grau de Mestre, com uma nova versão em 1907 (o “Ritual Blatin”), e mais ainda com a versão de 1922, desaparecerem com a maioria das últimas fórmulas significativas e os poucos remanescentes de uma teatralidade que, no entanto, é essencial para compreensão do cerimonial maçônico.
Na mesma linha, o Ritual de 1922 reflete o desejo de sufocar a própria ideia de um Ritual como hoje o concebemos. Os Trabalhos estão praticamente abertos ao “golpe de um malhete”, à custa da leitura de uma citação tranquilizadora e da execução de uma bateria. Não se tratava de verificar nem mesmo a cobertura do Templo, a regularidade dos Irmãos, a idade ou o tempo. Quanto à recepção, ela se reduziu a um mínimo de gestos e à leitura de chavões decorativos. Os elementos em que se sustentam e se baseiam a vida da Loja são distorcidos. |
Fig. 5 - Jean -Baptiste Antoine Blatin[6]
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